Defenestrar, verbo pronominal
Eu estava andando no parapeito da nossa conversa, sentindo o gosto frio, vermelho velho e enferrujado do tétano nas grades. Era um pouco melhor do que o gosto das suas palavras. Aquele era o gosto de uma doença certa, que corroeria minha língua, dentes e maxilar. Com sorte cordas vocais. Me lembrou o gosto metálico do ferro do meu sangue que sinto a cada injeção aplicada. Antes que eu caísse em divagação sobre o que estava ouvindo a conversa acabou. O recado foi deixado, a máquina gravou sua mensagem e você não precisava mais se preocupar. Pacotes e encomendas entregues. Pegue seu recibo e fuja. Apoiando-me na janela, sinto-me como que agarrado à grade para não cair. Apesar de me ver lá embaixo ocupando uma vaga dos objetos que podem se mover. Agarrado à grade e olhando pro branco acima, sem nunca descobrir se existe chão. Solto a grade para sentir o branco. Caio?