Moskva
Ao avistar a casa azul, já lhe vinham as lembranças, as péssimas lembranças de tardes desperdiçadas e pensamentos perdidos num redemoinho de incompreensão. O que fazer?, não podia negar, não podia fugir, a imposição foi mais forte que qualquer respeito que podia receber. Desta vez, no entanto, não iria sucumbir à ignorância. Entrou com um semblante sério, taciturno, grave. Queria demonstrar que não estava ali para conversas superficiais sobre quaisquer assuntos mundanos que lhe poderiam apresentar, seja talvez sobre dinheiro, relações insignificantes com mulheres sub-apreciadas ou as frivolidades disparadas por aquela caixa sem graça. Entrou com um livro de Dostoiévski debaixo do braço, seu único refúgio, um escudo contra a aproximação daninha daqueles que se dizem seus iguais. Lutou contra seus instintos de socialização que já lhe era desnecessária (vivia bem sozinho; suas reflexões já lhe tomavam todo seu tempo e atenção). Para isso fora necessário evitar dar trela às provocações tes...