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Showing posts from March, 2007

Observador

Desde muito tempo sou visto como um bom observador. É uma característica marcante em mim: eu me distraio lendo a linguagem corporal das pessoas, o seu discurso, pegando o que se deixou de dizer, a forma como foi dita. Tudo isso me possibilita interpretar melhor a mensagem da pessoa. A desvantagem disso é que me tornei uma pessoa calada. E agora, depois de ter passado tanto tempo sem falar, não há quem queira me ouvir. Acostumaram-se a me ver como aquele que escuta, aquele que presta atenção. Eu estendo minha mão e ninguém me estende a mão de volta. Fiquei preso à inércia das relações humanas: não existe vontade de qualquer outra parte em saber o que eu teria a oferecer. Eu estou cansado disso tudo. Cansado do eco que o silêncio faz em minha casa. Apesar de tudo, eu sou humano. Eu amo e me apaixono, como você. Eu sofro. Calado, mas sofro. Sem verter sequer uma lágrima, mas sofro. Há tempos venho dizendo a um coração velho e surrado para ter paciência, que dias melhores virão. Mas os dia...

Marcas em mim, marcas em você

É ruim pensar nisso, mas inevitável. Todos os meus rompimentos foram abruptos e definitivos. Não restaram laços, não ficou marca minha nelas. Por um lado isso é bom. Por outro, fico pensando em como foi fácil me deixar. Isso gera todo um questionamento do que fora dito durante a relação, se seria verdadeiro. Os “eu te amo”, os “não consigo viver sem você”. Uma das coisas que mais magoam é ver como não há qualquer tentativa de reconciliação. Vejo outros casais brigarem e tentarem novamente, há todo um esforço em se manterem juntos. Não no meu caso. Será que não vale a pena? Será que eu não valho a pena? Eu não deixo marcas.

Citação: Paul Auster, The Invention of Solitude, pp. 85-87

All during the three days he spent in Amsterdam, he was lost. The plan of the city is circular (a series of concentric circles, bisected by canals, a cross-hatch of hundreds of tiny bridges, each one connecting to another, and then another, as though endlessly), and you cannot simply "follow" a street as you can in other cities. To get somewhere you have to know in advance where you are going. A. did not, since he was a Stranger, and moreover found himself curiously reluctant to consult a map. For three days it rained, and for three days he walked around in circles. He realized that in comparison to New York (or New Amsterdam, as he was fond of saying to himself after he returned), Amsterdam was a small place, a city whose streets could probably be memorized in ten days. And yet, even if he was lost, would it not have been possible for him to ask directions of some passerby? Theoretically, yes, but in fact he was unable to bring himself to do so. It was not that he was afraid...