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Showing posts from March, 2003

Fuga

O desejo de procura de conforto na fuga fica cada vez mais forte. Tudo que me acontece é um motivo a mais que eu computo na minha já enorme lista de justificativas. Eu me vejo cada vez mais machucado, mais frágil, mais deslocado no meio onde estou. Cada comentário emitido pelos outros é devidamente interpretado como um ataque ao que sou. Eu estou convencido que não estou no lugar certo. Ninguém pensa como eu, e não há nem ao menos aproximações. Outro ponto a favor do meu argumento é a plena falta de atração exercida sobre as mulheres. Penso que não há mulher aqui que se atrairá pelo meu jeito, minhas idéias ou meu físico. Tenho amigas, e muitas, e acho que isso só é possível por eu não ser visto como possível paquera ou namorado. Elas não se abririam emocionalmente para alguém que elas vissem como possível paquera ou namorado. Elas não me querem como possível paquera ou namorado. Talvez lá fora seja a mesma coisa, mas eu dou ao mundo lá fora (para onde pretendo fugir) o benefício da dú...

My likes

I just like to w riot e.

Inquiry

Whenever I'm asked what are my expectations of something, my first thoughts are about what the person I'm responding to expects of my expectations. What does that person wants from me? Is what I'm going to answer change or create an idea about me? Will this idea be true to what I really am? What is expected of a writing course? That it teaches people how to write even better. That it makes us capable of rewriting other texts and making them greater. That it makes possible for us to make a simple letter worth of a Shakespeare's act or a Poe's poem. Because that's something that can't just be taught. What could be taught has already been taught. What do we read? Everything. Not just written things. All that passes by my eyes or drops in my ears becomes a text in my mind. However, if you want to restrain to the traditional concept of text, I should tell you that I read mostly ordinary things. Magazines, newspapers, journals, comic books. Every now and then a li...

Fantástico Strangelove

Dr. Fantástico ou: Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba ( Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb , EUA, 1964) Uma música romântica, suave, melosa. Um típico tema de cinema que evoca uma cena igualmente romântica de um casal apaixonado. Mas, no filme Dr. Fantástico, este fundo musical acompanha o abastecimento em vôo de um bombardeiro B-52 equipado com um poder de fogo de 40 megatons em bombas. Esta cena certamente dá o tom do resto do filme que situa-se no início dos anos 60, os anos quentes da Guerra Fria. A história começa com o general Ripper, bem interpretado por Sterlin Hayden, ordenando uma retaliação contra a Rússia pelos bombardeiros, colocando a base em estado de alerta. No entanto, o capitão Mandrake, subcomandante da base interpretado por Peter Sellers, descobre que não houve nenhuma investida soviética que justificasse o revide. Conversando com o general, percebe estar diante de um paranóico anticomunista e tenta convencê-lo a ca...

Rodoviária: um mundo em si próprio

Rodoviária. Na acepção fria do dicionário, esta palavra define uma estação de embarque e desembarque de passageiros de ônibus. Esta acepção não se aplica à rodoviária de Brasília, porém. Assim como foi necessário um artista (como pode ser chamado o arquiteto) para criá-la, é necessário um artista (o poeta) para defini-la. Logo, aos olhos de um artista, a rodoviária de Brasília é o próprio Caos no coração da Ordem. Uma das dificuldades da definição da rodoviária é a determinação de seus limites. Não seria muito claro para um turista saber onde acaba a estação e começa o Conjunto Nacional ou o Conic, por exemplo. Pode-se dizer que ela é aquele monte de concreto entre os carros, estejam eles amontoados nos estacionamentos ou em movimento furioso nas ruas. Ruas estas que passam a norte, sul, leste e oeste da rodoviária, e até mesmo por baixo dela. Na plataforma superior da rodoviária não existe nada que lembre uma rodoviária, pois tudo que se vê são lojas: revistarias, livrarias, lanchonet...

Amizade entre homem e mulher

Existe amizade entre homens e mulheres? Talvez. É tão possível quanto a amizade normal entre um homem e outro homem, ou entre uma mulher e outra mulher. Mas não existe regra ou fórmula matemática que determine se o que se tem com as pessoas é amizade, falsidade, paixão, tesão, admiração, temor ou amor (dentre inúmeros outros sentimentos; todos são possíveis, até mesmo o ódio). A pergunta acima tem um apelo grande, principalmente na sociedade moderninha e liberal em que vivemos, onde se pode ficar com um cara casado/comprometido sem maiores pesos na consciência. Quer dizer, se não há restrições à libido, tanto masculina quanto feminina, não há porquê se constranger perante uma certa atração que exista entre amigos. Mesmo que ela não esteja apaixonada; sexo casual perdeu seu status de tabu, e uma boa quantidade dose porção noite (ou tarde ou dia ou até dias) de sexo não fariam mal. Divago, mas chego ao ponto. A questão que posso responder com alguma certeza: para o homem existe amiza...

Mulher

Mulher. O primeiro ser que nós, homens, reconhecemos como diferente depois de alguns anos ingênuos achando que éramos todos iguais. E ainda reconhecemos. Nunca paramos de reconhecer, pois elas sempre têm algo de novo a nos mostrar, algo novo e surpreendente. A diferença física é a mais óbvia, e qualquer homem inteligente não se prende somente a ela. Seus cabelos, mais brilhantes que os nossos. Achávamos ser assim por passarem horas lavando-os, penteando-os e tratando-os em seus salões exclusivos, território (não mais) proibido para nós. Lêdo engano. Seus cabelos são assim por refletir a sua luz, como a lua que reflete uma pequena parte do grandioso sol e que mesmo assim fascina poetas e astrônomos. Só vemos os cabelos por não conseguirmos olhar diretamente para a fonte de seu brilho, tão forte é que cegaria-nos. Sua pele, tão fina, delicada e suave. Só para nos dar a ilusão de fragilidade, pois debaixo de tal porcelana existe uma verdadeira amazona, capaz de superar qualquer obstáculo....

Noivas por encomenda

Noivas por encomenda. Este é um fenômeno típico americano. É algo impensável em culturas como a nossa, mas eles parecem aceitá-la numa boa. Não é como se mulheres fossem um produto; as organizações feministas não permitiriam. O produto aqui são noivas, não mulheres. Noivas estrangeiras e exóticas, que por alguma razão desconhecida decidiram deixar seu país e sua família para morar com um estranho. Eles transformaram companhia em um produto comercializável. Agora, por que não ouvimos falar disso na mídia? Um serviço desses com certeza deve ter "problemas de fabricação" e "devoluções", assim como "mau uso do produto". Tenho a impressão de algo sendo ocultado, em nome do bom nome do cidadão americano.

Relações

Relacionamento. Não gosto de relacionamentos. Prefiro a frieza de um "olá" sem-graça do desconhecido que estuda na sua sala, ou trabalha com você. Relacionamentos não se contentam com tanta simplicidade. Eles pedem mais. Um relacionamento exige que você se abra, que compartilhe segredos, coisas que me impedem de passar despercebido na vida. Não poderei ser o cara que viveu entre livros e discos, sob a luz de meu computador, pois haverá alguém que lembrará de algo que fiz por esta pessoa, e que vai querer que outros tenham conhecimento. Não deixarão a morte representar sua função: esquecimento. É estranho que eu tenha dito tudo isso. Simplesmente porque eu queria um pretexto para falar de um certo tipo de relacionamento. O com mulheres. Este representa um verdadeiro desafio. Eu me apaixono fácil. Sou atraído por charmes como se fantasia nos filmes. E não gosto. Me dou mal toda vez. Nunca fui correspondido. Não posso dizer que namorei uma pessoa de quem gostei verdadeiramente. ...

Divided

FADE IN INT. MESSY ROOM -- DAWN LIGHT Camera enters the room. All is seem are clothes on the floor, CDs all over the place, plates and glasses on the TV set. In one corner there is a bed and a stereo system. Lying on the bed there is a sloppy, naked, 25-YEAR-OLD MAN. He's got a headphone connected to the stereo, which plays repeatedly one song. The camera zooms to a close-up of the man. While he gazes fixedly at the ceiling, this part of the lyrics is heard (OS): "I'm hanging on here until I'm gone I'm right where I belong, just hanging on." The title DIVIDED and the MAIN TITLES read over. The camera zooms in his left eye. EXT. PARKING LOT -- NOON When it zooms out, he is standing up, dressed casually with a t-shirt and jeans. He is talking to a 24-YEAR-OLD WOMAN, who is elegantly dressed with a green dress. She is nervous. JULY (with tears in her eyes) What do you mean by 'I don't like you that way?' PETER (a little nervous) July, try to understan...