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Showing posts from March, 2004

O grande tabu

Não, não é sexo. Falo de suicídio . Sim, suicídio. Esse é o maior tabu da atualidade, na minha opinião. É engraçado como há um certo silêncio constrangedor só ao se mencionar esta palavra. E por quê? Eu sei que se fala de suicídio, sim. Assim como se fala de sexo. Para educar, para evitar o pior, hoje em dia se fala dos dois. Mas você não verá, hoje em dia, alguém que admita que tenha tentado suicídio com a mesma naturalidade que usaria ao falar que já tinho feito sexo na vida. Sexo é algo muito natural , afinal. Suicídio não. Suicídio é feio, é fraqueza. É caso clínico, carrega o estigma social de quem falhou na coisa mais importante que existe, a vontade de viver. Uma pessoa que tentou suicídio precisa ser ouvida, precisa de cuidados, precisa de remédios. Doença é a palavra entrelinhada aqui. Se é doença, então será que pessoas sãs nunca tentaram suicídio ou sequer pensaram nele como solução em algum ponto de suas vidas, geralmente o de mais desespero? Eu duvido muito. E adiciono, ta...

Noite insólita

Sábado à noite. A convergência perfeita do dia mais hedônico da semana com a parte do dia mais propensa a pecados. Neste último, encontrava-me no conforto de meu quarto, já havia jantado e tentava decidir se passaria o tempo assistindo Equilibrium ou 2002 ou lendo tirinhas de Calvin e Haroldo e ouvindo mp3. Bem, não havia me decidido, quando me liga um amigo da minha aula de natação, o Gustavo: – Alô. – O Rafael está? – É ele. – Rafael, é o Gustavo, da natação. Beleza? – Ô Gustavão! Beleza, cara. O que você manda? – Aí, tu vai fazer alguma coisa hoje à noite? – Er... não decidi ainda. Por quê? – Tá afim de ir comigo lá na Trend? – Aquela boate nova do Gilberto Salomão? – Isso. – Pô, nem rola. É meio caro lá... – Nem esquenta com isso, eu tenho meus contatos, a gente entra de graça. Vamo! – Humm... ok, beleza. Que horas, agora? – HAHAHAHAHAHA! Ai, cara, tu me mata de rir. São só nove horas! Onze horas, ok? – Onze horas lá? – Não, porra, onze horas eu passo aí. – Ok, falou. Lá pras onz...