Visita
Toque, campainha, toque.
– Quem é?
– Sou eu.
– Eu quem?
– Eu.
– Essa voz... não é estranha...
– ...
Ela abriu a porta sem acreditar que ele poderia estar do outro lado. Um movimento súbito, e aos poucos a luz trazia a imagem dele aos olhos dela. Era impossível, improvável. Ele estava lá, um sorriso no rosto, no olhar. O olhar mais sincero que ela já vira. Por momentos incontáveis, tudo que se fez foi olhar. E então ele fala (sim, ele fala!):
– Oi.
– Oi... Como você...? Você não avisou que vinha!
– Esse tipo de aparecimento não dá pra avisar. E eu posso falar o mesmo de você.
– Mas... Você... você veio!
– Eu TIVE que vir. Não é fácil ficar lá onde estou se eu sou aqui. Você não faz idéia do espaço que ocupa aqui dentro de mim.
– Espaço que ocupo?
– É. Eu já não conseguia parar de pensar, agora todo pensamento meu tem você tatuado.
– Você vai ficar aqui?
– Sim, eu vou. Desculpe pela minha intromissão, mas eu cansei de ser um nômade a mudar de região pra região, sempre a ver as portas baterem na minha cara. Eu quero ficar. Deixe-me ficar! Eu tenho muito pouca esperança restando, e creio que você será a última em quem poderei depositá-la... Acabando-se esta, eu morrerei. Morrerei ao som do seu não.
Ela engasga e hesita, mas acaba aceitando. Talvez fossem palavras forte demais para serem ouvidas por ouvidos tão delicados, e ele sabia. Para quê palavras? O seu olhar já dizia tudo. Daquele momento em diante não importava mais nada, estavam unidos pelo olhar. Enquanto houvesse luz, nem que fosse uma faísca, estariam unidos pelo olhar.
– Quem é?
– Sou eu.
– Eu quem?
– Eu.
– Essa voz... não é estranha...
– ...
Ela abriu a porta sem acreditar que ele poderia estar do outro lado. Um movimento súbito, e aos poucos a luz trazia a imagem dele aos olhos dela. Era impossível, improvável. Ele estava lá, um sorriso no rosto, no olhar. O olhar mais sincero que ela já vira. Por momentos incontáveis, tudo que se fez foi olhar. E então ele fala (sim, ele fala!):
– Oi.
– Oi... Como você...? Você não avisou que vinha!
– Esse tipo de aparecimento não dá pra avisar. E eu posso falar o mesmo de você.
– Mas... Você... você veio!
– Eu TIVE que vir. Não é fácil ficar lá onde estou se eu sou aqui. Você não faz idéia do espaço que ocupa aqui dentro de mim.
– Espaço que ocupo?
– É. Eu já não conseguia parar de pensar, agora todo pensamento meu tem você tatuado.
– Você vai ficar aqui?
– Sim, eu vou. Desculpe pela minha intromissão, mas eu cansei de ser um nômade a mudar de região pra região, sempre a ver as portas baterem na minha cara. Eu quero ficar. Deixe-me ficar! Eu tenho muito pouca esperança restando, e creio que você será a última em quem poderei depositá-la... Acabando-se esta, eu morrerei. Morrerei ao som do seu não.
Ela engasga e hesita, mas acaba aceitando. Talvez fossem palavras forte demais para serem ouvidas por ouvidos tão delicados, e ele sabia. Para quê palavras? O seu olhar já dizia tudo. Daquele momento em diante não importava mais nada, estavam unidos pelo olhar. Enquanto houvesse luz, nem que fosse uma faísca, estariam unidos pelo olhar.
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