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Showing posts from September, 2005

Interpretar

Essa história de interpretar começou desde cedo. Uma coisa nunca era o que aparentava ser, suscitava interpretação para a definição precisa da realidade. Isso começou, por exemplo (Um exemplo de começo, talvez porque haja outros começos? Acho que sim.), quando fiquei diabético. Desde então nunca mais pude dizer que sentia sede, ou fome, ou sono, ou raiva. Não antes de um exame de glicose, pelo menos. Tudo poderia ser um sintoma. Parecia que, se tudo estivesse bem com a glicose, eu não sentiria sede, ou fome, ou sono, ou raiva. De modo que me acostumei a não sentir nada e achar que tudo está bem. Não sinto nada. Mas não está tudo bem. Outra conseqüência nefasta é atribuir tudo que sinto à doença. Ainda outra conseqüência é querer curar o que sinto com insulina.

Falar dos outros

" Pessoas ditas superiores falam de idéias; pessoas ditas medíocres* falam de eventos; pessoas ditas inferiores falam de pessoas. " Esse é o típico pensamento ridículo de intelectualóides que acham que falar de pessoas implica, necessariamente, fofocar. E que, claro, colocam a noção de se falar de coisas abstratas, que não são claramente perceptíveis pelos nossos sentidos físicos, como "superior". Ok, então. Falarei de Flingas. Flingas é a sensação que vem logo após o medo de não conseguir atingir um objetivo. Flingas está em algum ponto entre o medo e o desespero, não sendo exatamente o medo por se estar convencido que o objetivo não será alcançado, portanto essa certeza anula o medo. E não chega a ser desespero porque ainda se procura um meio de se chegar ao menos perto desse objetivo, de modo a não representar falha absoluta. No desespero sabemos que o objetivo simplesmente não será alcançado e que haverá conseqüências com relação a isto. Pois bem, isso não é fl...

Translation

Translation (or, inherently, interpretation) is no art; it is mere science, the science of grasping the thought behind language and vesting this thought with new language, maybe even improving its expression or taking it to a next level (if any). There is no love to it, only comprehension. There is no due consideration, only deadlines. Words are empty tools in the hands and head of a translator. There is nothing else to it. Nothing.