Superficial
Às vezes me pergunto se sou superficial, ou se essa é a idéia que têm de mim. Não é difícil manter uma conversa à tona do profundo, nunca tocando em assuntos delicados (para mim ou para o interlocutor); tangenciando, no máximo. Dá para passar horas falando de música, cinema, atualidades; geralmente, é o que faço para evitar falar sobre o que se passa em minha cabeça. Entretanto, há momentos em que tudo que quero é falar sobre o não deve ser mencionado, por mais que eu saiba como me é a sensação pós-relato, uma sensação de frustração por não encontrar algum tipo de identificação. Ou o interlocutor minimiza o que ouve, ou ele entende de uma forma que não corresponde de forma alguma ao que se passa. Logo, desenvolvi uma tendência a escamotear o profundo, disfarçando-o com um relato que é apenas uma versão da verdade, das várias que consigo elaborar quando me é preciso. Este é o lado perverso da criatividade. Mas agora, temo ter levado isso longe demais. Como não consigo contar a absolutam...