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Showing posts from July, 2007

Superficial

Às vezes me pergunto se sou superficial, ou se essa é a idéia que têm de mim. Não é difícil manter uma conversa à tona do profundo, nunca tocando em assuntos delicados (para mim ou para o interlocutor); tangenciando, no máximo. Dá para passar horas falando de música, cinema, atualidades; geralmente, é o que faço para evitar falar sobre o que se passa em minha cabeça. Entretanto, há momentos em que tudo que quero é falar sobre o não deve ser mencionado, por mais que eu saiba como me é a sensação pós-relato, uma sensação de frustração por não encontrar algum tipo de identificação. Ou o interlocutor minimiza o que ouve, ou ele entende de uma forma que não corresponde de forma alguma ao que se passa. Logo, desenvolvi uma tendência a escamotear o profundo, disfarçando-o com um relato que é apenas uma versão da verdade, das várias que consigo elaborar quando me é preciso. Este é o lado perverso da criatividade. Mas agora, temo ter levado isso longe demais. Como não consigo contar a absolutam...

Heartstricken

No one seems to understand what I write, what I say. I feel like stopping. This always made more sense, stopping. It feels comfortable, lonely but comfortable. It has always struck me, how can I be a good translator and convey messages from one language to another if I can't even make myself understood? Am I that complicated, or are people that reluctant to understand me? How can this be? Will someone ever answer? I wish I knew how to stick to someone's life, how to be important. Right now, I actually think I either pass by unnoticed or wreck people's life to the point of deserving never to have existed.

Animais

Durante minha infância, tentei ter animais de estimação. Sempre gostei de cachorros, gatos, pássaros. A sensação de acariciar um cachorrinho em meu colo, ou um gato arredio e desconfiado que, no entanto, se esfregava em minha perna quando eu não dava atenção a ele. A companhia dos animais sempre me foi mais sincera do que a dos humanos, porque eles não disfarçam a necessidade que têm de você. Eu retribuía sempre de forma natural, porque nunca tive medo deles. De forma que sempre me pesou que a morte deles estivesse relacionada aos meus atos, de um jeito ou de outro. Ou eu os sufocava, ou agia impensadamente em brincadeiras que nunca tiveram como intenção machucá-los. Eu os perdi um a um, e só me sobraram os humanos, de quem eu sempre tive receio. Hoje continuo a querer a companhia de um animal de estimação, ainda os vejo como a fonte de afeto mais sincero que se pode ter ao seu lado. Mesmo quando eles destroem suas coisas, só o fazem porque sentem falta de você. E no fim, são apenas co...