A vida não se repete
Uma noite agradável é palco para as maiores agruras que se pode vivenciar, sem que ela ao menos soubesse. Ela fala de coisas que me despertam os maiores arrepios, uma inevitável sensação de déjàvu . Revivencio em momentos os fatos que me despertaram o desconforto originalmente, comparando-os com o que me ocorre neste exato momento. Deixo-a falar como se não me incomodasse. Incomoda? Analiso bem. Em tudo que ela diz, há semelhanças com fatos passados que foram a origem de agruras. Tenho vontade de fugir, de correr, de calar sua boca. No entanto, em vez de detê-la, eu me detenho, me abstenho de comentar o que passa em minha cabeça. Neste momento, volto o olhar para mim mesmo. Por trás do terror causado, há uma marca que não existe mais, que não faz mais sentido no contexto atual. O paradoxo a faz desaparecer. A calma se instala. Acendo um cigarro, tomo mais um gole. E continuo ouvindo.