Fuga

O desejo de procura de conforto na fuga fica cada vez mais forte. Tudo que me acontece é um motivo a mais que eu computo na minha já enorme lista de justificativas. Eu me vejo cada vez mais machucado, mais frágil, mais deslocado no meio onde estou. Cada comentário emitido pelos outros é devidamente interpretado como um ataque ao que sou.

Eu estou convencido que não estou no lugar certo. Ninguém pensa como eu, e não há nem ao menos aproximações. Outro ponto a favor do meu argumento é a plena falta de atração exercida sobre as mulheres. Penso que não há mulher aqui que se atrairá pelo meu jeito, minhas idéias ou meu físico. Tenho amigas, e muitas, e acho que isso só é possível por eu não ser visto como possível paquera ou namorado. Elas não se abririam emocionalmente para alguém que elas vissem como possível paquera ou namorado. Elas não me querem como possível paquera ou namorado. Talvez lá fora seja a mesma coisa, mas eu dou ao mundo lá fora (para onde pretendo fugir) o benefício da dúvida.

Um outro ponto interessante no meu plano de fuga é que eu pretendo fazê-la sem avisar ninguém. Eu não quero despedidas, não quero pedidos de "escreva-me" e "mantenha contato". Ao pensar na perplexidade das outras pessoas frente à frieza com que eu faria isso eu simplesmente rio. Eu fico imaginando a histeria de algumas pessoas, e isso realmente me entretém, de tão ridículo que me pareceria.

Eu acho que quero me desligar de tudo. Estou cético com tudo. As únicas coisas que me deixam feliz ultimamente são a música, os filmes, os seriados e livros que leio. Arte. Pessoas me deixam mal, me fazem mal, são más. Engraçado que antigamente eu me sentia assim (embora num grau bem menos sério). E acreditava que quando crescesse tudo mudaria. Estou inclinado a acreditar no naturalismo, até que algum evento me prove que esta teoria está equivocada.

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