Afogamento
Minha geração só faz se afogar. A quantidade de músicas, contos e livros sobre afogamentos é arrebatadora, assustadora. Nós nos afogamos em álcool, em curtição, em trabalho, em hormônios, em prazer, em velocidade e potência. Eu posso mais, parece ser esse o mote da noite, da galera. Pode mais álcool, pode mais drogas, pode mais alto, pode mais rápido. E pode mais tarde, pode trabalhar mais, pode afogar mais mágoas, pode se afogar mais, pode respirar mais assim. E pode mais. Pode mais, pode mais pode mais pede mais.
Minha geração só não pede pra sentir mais. Porque não aguenta o tranco. Porque prefere se afogar a sentir um pouco mais. A sensação é bem-vinda porque é fugaz; já o sentimento, derradeiro e indelével, é evitado a todo custo. Minha geração o afoga de todas as formas, enchendo a pança e a cabeça com sensações pra que o sentimento fique ali enterrado(?), soterrado(?), naufragado(?), submerso(?), longe da atenção. Que atenção? Aquela que de tanto desviarmo-na do sentimento espalhamos por tantos lugares que não conseguimos mais recobrá-la. Afoga. Afoga mais. Afoga até não respirar mais, até que se transforme em uma carcaça vazia e torpe.
Eu só me considero uma pessoa de sorte por ter te conhecido no ápice da seca.
Minha geração só não pede pra sentir mais. Porque não aguenta o tranco. Porque prefere se afogar a sentir um pouco mais. A sensação é bem-vinda porque é fugaz; já o sentimento, derradeiro e indelével, é evitado a todo custo. Minha geração o afoga de todas as formas, enchendo a pança e a cabeça com sensações pra que o sentimento fique ali enterrado(?), soterrado(?), naufragado(?), submerso(?), longe da atenção. Que atenção? Aquela que de tanto desviarmo-na do sentimento espalhamos por tantos lugares que não conseguimos mais recobrá-la. Afoga. Afoga mais. Afoga até não respirar mais, até que se transforme em uma carcaça vazia e torpe.
Eu só me considero uma pessoa de sorte por ter te conhecido no ápice da seca.
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