Narrativas
Eu passei alguns meses fazendo a tradução de uma tese de doutorado em arquitetura e foi uma coisa envolvente. Sei que estou gostando de um texto quando eu me pego pensando em preceitos dele e adaptando aos meus, amalgamando às minhas ideias as ideias alheias.
O texto da tese falava sobre a arquitetura de Brasília e suas narrativas arquitetônicas. Como assim, narrativas? Bem, na configuração da cidade existiram, basicamente, duas narrativas que definiram a cidade como ela é hoje. Existia o projeto original, registrado e solidificado em papel; depois dele, vieram as interferências das pessoas que se instalaram na cidade. Por mais que se saiba qual era a ideia do projeto original, não há como negar ou desfazer as interferências, que passam a fazer parte da cidade e de sua identidade.
De forma semelhante, acho que é isso que ocorre com a imagem que apresentamos ao mundo. Todos temos um projeto original, que é a ideia que fazemos de nós mesmos. E as interferências são as relações que entravamos com os outros, que nos alteram e mudam o rumo do projeto original que tínhamos para nós mesmos.
Esse projeto original é a forma em que você, como autor, definiu as características do seu personagem principal. A sua postura com relação às interferências é a coerência que você terá com esse personagem. Ele pode, sim, agir de forma incoerente e inesperada na história que se escreve, mas será que isso não fere a estrutura principal do personagem? Como você se verá como autor ferindo a coerência do que você elaborou, mesmo que em nome da integridade da criação?
Eu me vejo nesse tipo de dilema o tempo todo. Não sei se mantenho a coerência, se me atenho ao projeto original, que fora pensado com muito cuidado e atentando aos detalhes... Ou se deixo as interferências tomarem algum espaço em nome da integridade do personagem, para que a cidade não se torne uma cidade-fantasma.
O texto da tese falava sobre a arquitetura de Brasília e suas narrativas arquitetônicas. Como assim, narrativas? Bem, na configuração da cidade existiram, basicamente, duas narrativas que definiram a cidade como ela é hoje. Existia o projeto original, registrado e solidificado em papel; depois dele, vieram as interferências das pessoas que se instalaram na cidade. Por mais que se saiba qual era a ideia do projeto original, não há como negar ou desfazer as interferências, que passam a fazer parte da cidade e de sua identidade.
De forma semelhante, acho que é isso que ocorre com a imagem que apresentamos ao mundo. Todos temos um projeto original, que é a ideia que fazemos de nós mesmos. E as interferências são as relações que entravamos com os outros, que nos alteram e mudam o rumo do projeto original que tínhamos para nós mesmos.
Esse projeto original é a forma em que você, como autor, definiu as características do seu personagem principal. A sua postura com relação às interferências é a coerência que você terá com esse personagem. Ele pode, sim, agir de forma incoerente e inesperada na história que se escreve, mas será que isso não fere a estrutura principal do personagem? Como você se verá como autor ferindo a coerência do que você elaborou, mesmo que em nome da integridade da criação?
Eu me vejo nesse tipo de dilema o tempo todo. Não sei se mantenho a coerência, se me atenho ao projeto original, que fora pensado com muito cuidado e atentando aos detalhes... Ou se deixo as interferências tomarem algum espaço em nome da integridade do personagem, para que a cidade não se torne uma cidade-fantasma.
Eu gosto da ideia de cidade-fantasma. Os vazios, o silêncio, a ausência.
ReplyDeleteeu gosto tbm!
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