Nada de novo
Daí que de repente me dá vontade de escrever. Escrever sem parar. Meio que numa explosão. Não de sinceridade, não uma explosão de verdades, só um escape. Queria dizer que estou enjoado. Das coisas que as pessoas fazem. Das coisas que as pessoas dizem. Que tudo que elas fazem e dizem me soam como extremamente previsíveis, ainda que eu não espere isso delas. E não de pessoas em quem eu confio, apenas... Pessoas. Qualquer um. Que elas são defeituosas em tudo que fazem. Que tudo que elas expressam é um monte de merda. Não porque a merda feda, mas porque a merda é algo que sai das pessoas sem que elas ponham muita intenção, muito esforço nisso. Parece que não há qualquer planejamento nas coisas humanas, que tudo que é feito tem sucesso ou falha por acaso. Que as coisas humanas são demasiadamente defeituosas. As máquinas também são defeituosas, porque são feitas por humanos, como o monitor que estou usando, que vive falhando. E os sentimentos humanos, defeituosos demais, vivem falhando, vivem desviando de seu caminho. Eu estou cansado das coisas humanas. Estou cansado dos escritores, que tanto admirava por acreditar que eles, sim, tinham um planejamento, que tinham um caminho diferenciado. Não, eles são humanos e o que eles fazem é, no fim das contas, um monte de merda previsível. Babacas. Tenho medo de conhecer a fundo qualquer um não por medo da decepção... Tenho medo de confirmar que as pessoas são humanas e, intrinsicamente, babacas. Vejo as pessoas expressarem seus sentimentos e opiniões e, nossa, quanta merda. Tudo que você faz é um monte de merda, ainda que contribua para outras pessoas fazerem algo em cima disso. Estou desgostoso com tudo que é humano. Eu... gostaria de ser um pouco mais humano do que isso.
Não está sozinho em sua solidão... Lendo suas cartas mortas notei que elas chegam ao seu destino. Mesmo quando o destino está escrito no envelope.
ReplyDeleteQuanto a humanização das coisas e pessoas... Somos um bando de seres sem expressão.
Obrigada por escrever suas cartas mortas.
Carol