As coisas que descubro sobre meu pai
Ontem dei a meu pai um presente simbólico, algo a que desconfiava que ele não daria a mínima importância. E ele gostou. Identificou-se. E serviu, sobretudo, para que eu descobrisse algo sobre ele. Algo que tentara descobrir muito tempo atrás e que já havia desistido de entender.
Creio que preciso elaborar. O presente que dei a meu pai foi a trilogia Amici Miei Atos I, II e III (em português, Meus Caros Amigos). Assistimos o primeiro, por sugestão minha. São excelentes comédias tipicamente italianas, com deboche irreverente e transgressor aos preceitos mais sagrados do convívio em sociedade sejam eles a fidelidade conjugal, a religião e até mesmo a morte.
Em uma das cenas, uma das personagens debocha do próprio filho, desafiando sua seriedade e sisudez. Nessa cena, meu pai se viu na própria pele da personagem, por associar seus próprios filhos ao filho ali em cena, incrédulo e desapontado com o comportamento do pai.
Meu pai já teve sua cota de provações na vida e, no entanto, não a encara de forma amarga ou séria demais. Pelo contrário, quer aproveitá-la da maneira que lhe apraz sem restrições. Ele assim como alguns de seus grandes amigos debocha de quem encara a vida sem perceber o humor intríseco às situações. Ele pode até se preocupar, mas não externa isso.
Vejo-me agora em um papel diferente do de Paul Auster, que em seu livro The Invention of Solitude transformou a morte de seu pai na sua busca pela pessoa por trás da figura impávida e emocionalmente inacessível, como descrito no trecho a seguir:
Eu não tenho mais essa busca. Não porque tenha descoberto a pessoa por trás da persona apresentada a seus filhos, seus familiares e à sociedade como um todo. Não tenho para mim mais essa busca porque entendo que toda tentativa de encontrá-lo será encarada com deboche. Ao invés de tirá-lo de trás de sua redoma, do palco de onde ele encena seu ato lúdico, o melhor que faço é juntar-me a ele na gozação daqueles que levam a vida a sério demais. Sei que ele está ali, inacessível, pois ele assim o quis. Isso é o mais próximo a que posso chegar ser seu amigo de cena.
Creio que preciso elaborar. O presente que dei a meu pai foi a trilogia Amici Miei Atos I, II e III (em português, Meus Caros Amigos). Assistimos o primeiro, por sugestão minha. São excelentes comédias tipicamente italianas, com deboche irreverente e transgressor aos preceitos mais sagrados do convívio em sociedade sejam eles a fidelidade conjugal, a religião e até mesmo a morte.
Em uma das cenas, uma das personagens debocha do próprio filho, desafiando sua seriedade e sisudez. Nessa cena, meu pai se viu na própria pele da personagem, por associar seus próprios filhos ao filho ali em cena, incrédulo e desapontado com o comportamento do pai.
Meu pai já teve sua cota de provações na vida e, no entanto, não a encara de forma amarga ou séria demais. Pelo contrário, quer aproveitá-la da maneira que lhe apraz sem restrições. Ele assim como alguns de seus grandes amigos debocha de quem encara a vida sem perceber o humor intríseco às situações. Ele pode até se preocupar, mas não externa isso.
Vejo-me agora em um papel diferente do de Paul Auster, que em seu livro The Invention of Solitude transformou a morte de seu pai na sua busca pela pessoa por trás da figura impávida e emocionalmente inacessível, como descrito no trecho a seguir:
Devoid of passion, either for a thing, a person, or an idea, incapable or unwilling to reveal himself under any circumstances, he had managed to keep himself at a distance from life, to avoid immersion in the quick of things. He ate, he went to work, he had friends, he played tennis, and yet for all that he was not there. In the deepest, most unalterable sense, he was an invisible man. Invisible to others, and most likely invisible to himself as well. If, while he was alive, I kept looking for him, kept trying to find the father who was not there, now that he is dead I still feel as though I must go on looking for him.
Eu não tenho mais essa busca. Não porque tenha descoberto a pessoa por trás da persona apresentada a seus filhos, seus familiares e à sociedade como um todo. Não tenho para mim mais essa busca porque entendo que toda tentativa de encontrá-lo será encarada com deboche. Ao invés de tirá-lo de trás de sua redoma, do palco de onde ele encena seu ato lúdico, o melhor que faço é juntar-me a ele na gozação daqueles que levam a vida a sério demais. Sei que ele está ali, inacessível, pois ele assim o quis. Isso é o mais próximo a que posso chegar ser seu amigo de cena.
Incrivelmente concordo com os 4 últimos posts (aliás, não é uma questão de concordar, é uma questão de você ter dito exatamente tudo, da maneira mais acurada) mas esse do amigo de cena é uma coisa meio Pinóquio...
ReplyDeletee eu gosto de acreditar na transcendência =)
resposta ao meu único leitor:
ReplyDelete"acho que somos todos muito despreparados para assumir responsabilidades em geral.
também acho que nem sempre sabemos tão claramente o que é certo numa dada situação, talvez por isso erramos tanto...
espero que tudo fique bem.
é difícil fazer escolhas, mas nem sempre é uma questão de escolher, né!?
espero que fique o que tem que ficar!"
você é uma pessoa muito fofa!
ReplyDeleteobrigada pelo apoio!!!
beijos!
nem manjava q ce tinha blog ehm
ReplyDelete(sempre têm, não é)
Tipo, rola meio vergoinha, mas tem que exercitar essa coisa de autoexposição, né, vamulá. E depois tem muito tempo que não escrevo, só escrevo em momentos de epifania/catarse e isso é mós gay.
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