O colecionador
O hábito de associar nossas vidas a uma obra é algo recorrente e saudável. Creio que estabelece uma perspectiva sobre nossas ações e sobre como elas afetam as pessoas a nosso redor. É um artifício a que recorro com freqüência para entender as pessoas e as relações ente elas -- e, principalmente, a mim mesmo.
Nos últimos tempos, me dei conta de um hábito que cultivo desde minhas primeiras memórias. Tal como Jonathan Safran Foer, personagem de Elijah Wood no filme Everything Is Illuminated, sou um ávido colecionador. Venho há anos colecionando coisas, todo tipo de coisa, catalogando-as e organizando-as. Afastei-me tanto do objetivo da coleção, por tanto que me concentrei em apenas colecionar, que não sei com certeza qual era ele.
Da mesma forma, Jonathan coleciona todas as coisas que passam por seu caminho. Talvez por medo de perder uma lembrança. Medo de não dar importância a algo que poderia vir a ser, no futuro, uma peça importante nas memórias de sua vida. Por isso ele guarda tudo que lhe aparece -- para lembrar, para preservar. Mas no fim das contas, não foi ele que construiu suas memórias, e sim a pessoa que decidiu escrever sobre sua jornada e, conseqüentemente, sobre ele.
Contudo, diferente de Jonathan, eu não tenho uma jornada. Eu não estou construindo uma memória. Eu não tenho lições a passar (pelo menos nenhuma que eu considere relevante passar a alguém de uma forma que vá mudar-lhe a vida). Quando penso nisso, vejo o quão fútil é minha coleção. Eu deveria fazer algo dessa coleção, mas não tenho qualquer ligação afetiva profunda e significativa com nenhum objeto de minhas coleções.
Tenho medo de, ao interromper o que sempre fiz, ficar sem objetivos. Ainda que menores, creio que seja saudável se manter alguns objetivos. Sigo colecionando, catalogando, organizando. Uma hora isso vai fazer sentido para algo maior. Assim espero. Como convergirei a necessidade de fazer algo com minha relutância em não ser notado ainda permanece uma incógnita.
Nos últimos tempos, me dei conta de um hábito que cultivo desde minhas primeiras memórias. Tal como Jonathan Safran Foer, personagem de Elijah Wood no filme Everything Is Illuminated, sou um ávido colecionador. Venho há anos colecionando coisas, todo tipo de coisa, catalogando-as e organizando-as. Afastei-me tanto do objetivo da coleção, por tanto que me concentrei em apenas colecionar, que não sei com certeza qual era ele.
Da mesma forma, Jonathan coleciona todas as coisas que passam por seu caminho. Talvez por medo de perder uma lembrança. Medo de não dar importância a algo que poderia vir a ser, no futuro, uma peça importante nas memórias de sua vida. Por isso ele guarda tudo que lhe aparece -- para lembrar, para preservar. Mas no fim das contas, não foi ele que construiu suas memórias, e sim a pessoa que decidiu escrever sobre sua jornada e, conseqüentemente, sobre ele.
Contudo, diferente de Jonathan, eu não tenho uma jornada. Eu não estou construindo uma memória. Eu não tenho lições a passar (pelo menos nenhuma que eu considere relevante passar a alguém de uma forma que vá mudar-lhe a vida). Quando penso nisso, vejo o quão fútil é minha coleção. Eu deveria fazer algo dessa coleção, mas não tenho qualquer ligação afetiva profunda e significativa com nenhum objeto de minhas coleções.
Tenho medo de, ao interromper o que sempre fiz, ficar sem objetivos. Ainda que menores, creio que seja saudável se manter alguns objetivos. Sigo colecionando, catalogando, organizando. Uma hora isso vai fazer sentido para algo maior. Assim espero. Como convergirei a necessidade de fazer algo com minha relutância em não ser notado ainda permanece uma incógnita.
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