Animais

Durante minha infância, tentei ter animais de estimação. Sempre gostei de cachorros, gatos, pássaros. A sensação de acariciar um cachorrinho em meu colo, ou um gato arredio e desconfiado que, no entanto, se esfregava em minha perna quando eu não dava atenção a ele. A companhia dos animais sempre me foi mais sincera do que a dos humanos, porque eles não disfarçam a necessidade que têm de você. Eu retribuía sempre de forma natural, porque nunca tive medo deles.

De forma que sempre me pesou que a morte deles estivesse relacionada aos meus atos, de um jeito ou de outro. Ou eu os sufocava, ou agia impensadamente em brincadeiras que nunca tiveram como intenção machucá-los. Eu os perdi um a um, e só me sobraram os humanos, de quem eu sempre tive receio.

Hoje continuo a querer a companhia de um animal de estimação, ainda os vejo como a fonte de afeto mais sincero que se pode ter ao seu lado. Mesmo quando eles destroem suas coisas, só o fazem porque sentem falta de você. E no fim, são apenas coisas.

Infelizmente, não sei se eles gostariam de me ter como dono, sabendo que eu poderia em dado momento sufocá-los, mesmo que não intencionalmente. Egoisticamente, sinto falta da companhia.

Comments

Popular posts from this blog

Wandering away

Do contra

Are you ready?