Sobre o título
O ato da escrita envolve, necessariamente, um processo de passar nossos pensamentos para algum outro meio, de forma que possamos compartilhá-los com outros. Antes de proferirmos palavras, pensamos na melhor forma de trazê-las à tona, pensamos -- dentro do vasto leque de opções que temos em nosso vocabulário -– nas palavras que melhor servirão ao nosso propósito. Raramente nos damos conta disso, mas a linguagem funciona como uma espécie de filtro, uma espécie de mídia para externar os pensamentos.
Normalmente, diz-se que a linguagem influencia nosso modo de pensar, ao ponto de condicionar nosso pensamento. Entretanto, em momentos criativos, a tendência é fugir desse condicionamento e moldar a linguagem aos nossos propósitos. Quando criamos, reinventamos nossa língua, por pura necessidade de fazer entender nossos pensamentos. E afinal, quando é que criamos? A todo momento, eu diria. Nunca repetimos perfeitamente nada que dizemos ou escrevemos, apesar de usarmos as mesmas palavras, o mesmo tom: se o momento é outro, a mensagem é diferente.
Daí temos que mesmo pessoas com exímio conhecimento da língua não necessariamente têm fluência perfeita na expressão de seus pensamentos. É necessário algo a mais do que apenas entender o sistema de signos e seus processos. Há mister uma proximidade em outro nível com os pensamentos em sua forma crua, sem a interferência da linguagem. Precisa saber traduzi-los da forma mais apropriada para a nossa própria língua materna, sacrificando o mínimo possível -- mas sempre tendo em mente que é impossível não haver perdas.
Por isso o título. Esforço-me ao máximo para apresentar a melhor tradução possível de meus próprios pensamentos. Alguns diriam que transcrevo -- ledo engano. Somos todos tradutores e intérpretes, cada um, de seus próprios âmagos.
Normalmente, diz-se que a linguagem influencia nosso modo de pensar, ao ponto de condicionar nosso pensamento. Entretanto, em momentos criativos, a tendência é fugir desse condicionamento e moldar a linguagem aos nossos propósitos. Quando criamos, reinventamos nossa língua, por pura necessidade de fazer entender nossos pensamentos. E afinal, quando é que criamos? A todo momento, eu diria. Nunca repetimos perfeitamente nada que dizemos ou escrevemos, apesar de usarmos as mesmas palavras, o mesmo tom: se o momento é outro, a mensagem é diferente.
Daí temos que mesmo pessoas com exímio conhecimento da língua não necessariamente têm fluência perfeita na expressão de seus pensamentos. É necessário algo a mais do que apenas entender o sistema de signos e seus processos. Há mister uma proximidade em outro nível com os pensamentos em sua forma crua, sem a interferência da linguagem. Precisa saber traduzi-los da forma mais apropriada para a nossa própria língua materna, sacrificando o mínimo possível -- mas sempre tendo em mente que é impossível não haver perdas.
Por isso o título. Esforço-me ao máximo para apresentar a melhor tradução possível de meus próprios pensamentos. Alguns diriam que transcrevo -- ledo engano. Somos todos tradutores e intérpretes, cada um, de seus próprios âmagos.
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