Visão sobre a vista
Acho que me viciei em colírio para dilatação da pupila.
É estranho não poder focar as coisas quando se quer. Você fica num estado de permanente e artificial relaxamento, sem poder ler ou assistir qualquer tipo de tela. Esperava que pudesse não me preocupar, mas para isso não há remédio (ou melhor, há; mas essa é a saída dos... não tenho qualquer palavra mais amena para um tipo de pessoa que abomino tanto: idiotas, no mínimo).
Por mais bonito que seja ver o mundo como uma tela impressionista, um mundo onde as luzes perdem seus limites e se expandem para fora das lâmpadas e faróis como braços tentando nos alcançar (ou alcançar nossos olhos, talvez), um mundo onde as cores perdem delimitação mas ganham vivacidade e os contornos têm a companhia de fantasmas, como se o mundo fosse colorido por crianças que não respeitam as linhas que nossos cérebros criam para a realidade; por mais bonito que seja tudo isso, a preocupação está acima de tudo isso e me atinge com peso equivalente ao da maturidade. Quem eu seria sem a visão?, penso eu enquanto tento manter minha cabeça fixa no aparelho de laser usado pelo médico, a queimar neo-vasos no fundo dos meus olhos. Sabe qual é a sensação? Agulhas. Agulhas lá dentro, empurrando meu olho mais para o fundo e fazendo com que eu tente recuar a cabeça, apesar dos protestos e rudeza do oftalmologista.
Como seria para minha família ter que amparar um jovem cego? Eu não tenho qualquer receio de enfrentar novos desafios, mas não quero impor os mesmos a quem está comigo por laços de sangue ou daquele sentimento mais forte (que eu gosto tanto de contemplar quando fecho meus olhos, minha boca e fico a divagar). Quero estar com as pessoas sabendo que tenho mais a oferecer a elas do que minha moribunda presença. Talvez eu seja mais uma vítima da exigência por produtividade imposta por nossos padrões econômicos e sociais. É uma possibilidade.
Só que eu odeio me sentir vítima de qualquer coisa.
É estranho não poder focar as coisas quando se quer. Você fica num estado de permanente e artificial relaxamento, sem poder ler ou assistir qualquer tipo de tela. Esperava que pudesse não me preocupar, mas para isso não há remédio (ou melhor, há; mas essa é a saída dos... não tenho qualquer palavra mais amena para um tipo de pessoa que abomino tanto: idiotas, no mínimo).
Por mais bonito que seja ver o mundo como uma tela impressionista, um mundo onde as luzes perdem seus limites e se expandem para fora das lâmpadas e faróis como braços tentando nos alcançar (ou alcançar nossos olhos, talvez), um mundo onde as cores perdem delimitação mas ganham vivacidade e os contornos têm a companhia de fantasmas, como se o mundo fosse colorido por crianças que não respeitam as linhas que nossos cérebros criam para a realidade; por mais bonito que seja tudo isso, a preocupação está acima de tudo isso e me atinge com peso equivalente ao da maturidade. Quem eu seria sem a visão?, penso eu enquanto tento manter minha cabeça fixa no aparelho de laser usado pelo médico, a queimar neo-vasos no fundo dos meus olhos. Sabe qual é a sensação? Agulhas. Agulhas lá dentro, empurrando meu olho mais para o fundo e fazendo com que eu tente recuar a cabeça, apesar dos protestos e rudeza do oftalmologista.
Como seria para minha família ter que amparar um jovem cego? Eu não tenho qualquer receio de enfrentar novos desafios, mas não quero impor os mesmos a quem está comigo por laços de sangue ou daquele sentimento mais forte (que eu gosto tanto de contemplar quando fecho meus olhos, minha boca e fico a divagar). Quero estar com as pessoas sabendo que tenho mais a oferecer a elas do que minha moribunda presença. Talvez eu seja mais uma vítima da exigência por produtividade imposta por nossos padrões econômicos e sociais. É uma possibilidade.
Só que eu odeio me sentir vítima de qualquer coisa.
vc conseguiu fazer eu sentir dor em palavras. AGULHAS ARGH!
ReplyDelete