Despedidas
– Adeus.
Demorou algum tempo até que esta palavra fizesse algum sentido para quem a ouviu, devido à perturbação na qual se encontrava. Adeus, ele disse adeus?, se perguntava como quem espera uma confirmação de um terceiro. Mas não havia mais ninguém ali.
– Adeus? Você não pode dizer adeus. Aonde você vai?, perguntava em desespero.
– Eu não vou a lugar nenhum. Mas você vai sumir daqui. Eu não quero mais ver sua figura patética e chorona por aqui.
– Eu estou aqui há mais tempo que você. Por que devo sair?
– Sei que você está aqui há muito mais tempo que eu. Mas eu o superei. Eu tomei conta.
– Se eu me for...
Ele teve que parar de falar. O pensamento que teve, de sair dali, era tão denso e apavorante que caiu como uma pedra de sua mente em sua boca, interrompendo sua fala. Tomou fôlego novamente, engolindo com a saliva acumulada tal idéia:
– Se eu me for, você vai arruinar tudo que eu fiz e consegui até agora.
– Não há mais o que arruinar. Você não consegue manter em pé o que constrói. Droga, você está tão cego de lágrimas que não pode ver à sua volta?
– Não é verdade, não é verdade...
Ele segurava o próprio rosto tentando esconder daquele olhar repressor a sua própria verdade, tão frágil quanto ele, que mal se aguentava em pé. Os joelhos já doíam tanto quanto as pernas.
– É verdade SIM! Vá-se embora, eu não o quero mais aqui.
– NÃO!
Ele esboçou uma última reação, se levantando e preparando para pular em cima de seu antagonista. Chegou a pensar de onde tirara as forças para isto, mas tentou se manter concentrado em derrotar o oponente.
Estou surpreso, foi a única frase que conseguiu articular em sua mente. Aquele ser fraco teve a audácia, não, melhor, a força de se levantar contra mim. Tudo isto em um outro plano, pois no físico seu corpo já tinha uma reação pronta e em andamento. Quando se deu conta, seu punho cerrado estava se aproximando do rosto febril e molhado de lágrimas do outro. Este não teve chance. Fechou os olhos por instinto e...
...O barulho de vidro quebrado tomou conta do aposento, apagando os sons da conversa ali tida. Ele sentiu primeiramente a dor dos estilhaços cortando suas falanges, mas logo a sensação de vitória o fez esquecê-la. Deu as costas para os sete anos de azar. Deu as costas para o mosaico formado de sangue e reflexos, e o chão repleto de pedacinhos de si mesmo. Devia ser uma bonita visão, mas estava mais interessado no que haveria à sua frente.
Demorou algum tempo até que esta palavra fizesse algum sentido para quem a ouviu, devido à perturbação na qual se encontrava. Adeus, ele disse adeus?, se perguntava como quem espera uma confirmação de um terceiro. Mas não havia mais ninguém ali.
– Adeus? Você não pode dizer adeus. Aonde você vai?, perguntava em desespero.
– Eu não vou a lugar nenhum. Mas você vai sumir daqui. Eu não quero mais ver sua figura patética e chorona por aqui.
– Eu estou aqui há mais tempo que você. Por que devo sair?
– Sei que você está aqui há muito mais tempo que eu. Mas eu o superei. Eu tomei conta.
– Se eu me for...
Ele teve que parar de falar. O pensamento que teve, de sair dali, era tão denso e apavorante que caiu como uma pedra de sua mente em sua boca, interrompendo sua fala. Tomou fôlego novamente, engolindo com a saliva acumulada tal idéia:
– Se eu me for, você vai arruinar tudo que eu fiz e consegui até agora.
– Não há mais o que arruinar. Você não consegue manter em pé o que constrói. Droga, você está tão cego de lágrimas que não pode ver à sua volta?
– Não é verdade, não é verdade...
Ele segurava o próprio rosto tentando esconder daquele olhar repressor a sua própria verdade, tão frágil quanto ele, que mal se aguentava em pé. Os joelhos já doíam tanto quanto as pernas.
– É verdade SIM! Vá-se embora, eu não o quero mais aqui.
– NÃO!
Ele esboçou uma última reação, se levantando e preparando para pular em cima de seu antagonista. Chegou a pensar de onde tirara as forças para isto, mas tentou se manter concentrado em derrotar o oponente.
Estou surpreso, foi a única frase que conseguiu articular em sua mente. Aquele ser fraco teve a audácia, não, melhor, a força de se levantar contra mim. Tudo isto em um outro plano, pois no físico seu corpo já tinha uma reação pronta e em andamento. Quando se deu conta, seu punho cerrado estava se aproximando do rosto febril e molhado de lágrimas do outro. Este não teve chance. Fechou os olhos por instinto e...
...O barulho de vidro quebrado tomou conta do aposento, apagando os sons da conversa ali tida. Ele sentiu primeiramente a dor dos estilhaços cortando suas falanges, mas logo a sensação de vitória o fez esquecê-la. Deu as costas para os sete anos de azar. Deu as costas para o mosaico formado de sangue e reflexos, e o chão repleto de pedacinhos de si mesmo. Devia ser uma bonita visão, mas estava mais interessado no que haveria à sua frente.
Comments
Post a Comment