Acostumando-se à dor

Todos sabemos como uma decepção amorosa atrapalha a vida racional. Não temos vontade nem de levantar da cama, que dirá de trabalhar ou estudar. O amor nas nossas vidas nos dá uma energia e motivação extras para seguirmos com nossos afazeres, mas a sua ausência é proporcionalmente destrutiva e prejudicial.

Todos vocês já viram O Clube da Luta? Se não, recomendo enfaticamente. Trago este filme à tona para fazer referência a uma cena (calma, isso não vai estragar o filme pra você se você ainda não assistiu). É aquela cena onde o personagem interpretado por Brad Pitt joga ácido na mão daquele interpretado por Edward Norton e força-o a se concentrar na dor escruciante, ao invés de tentar se distrair dela. Uma cena marcante e das melhores do filme, na minha opinião.

Pois bem, eu pretendo que se aplique o mesmo princípio na vida amorosa, numa analogia que põe a dor física e a decepção amorosa como iguais (não, eu não ia sugerir que você jogasse ácido na sua mão para esquecer a decepção, se é o que você estava pensando). Pegue aquele fato ou conversa que representou para você a decepção e mantenha-o em mente. Nada de se distrair com outras coisas, como comida, entretenimento ou trabalho ininterrupto. O objetivo é causar o máximo de agonia mental no menor intervalo de tempo possível (que pode ser de dias ou horas, dependendo da pessoa), e então você se acostuma. Aquela memória vai se tornando menos e menos dolorosa.

Mas atenção: devo admitir que a dor não some, apenas perde intensidade. Recomendo, após ter se acostumado com aquela memória, que não fique revisitando-a -- isso é masoquismo. Essa prática tem como finalidade simples e unicamente o restabelecimento e normalização de sua vida racional. Afinal, quem pode se dar ao luxo de passar o dia chorando?

Comments

Popular posts from this blog

Wandering away

Do contra

Are you ready?