Dissecando a tristeza
Bons tempos os em que os motivos da tristeza eram simples e palpáveis. Tempos em que simples gestos bastavam para afastar tudo que incomodava. Uma conversa boba distraía e fazia esquecer. Um presente mudava completamente o estado de espírito. E agora, não mais, talvez nunca mais.
As conversas são repetidas tantas vezes que se tornam fúteis e vazias: mera recitação de palavras sem sentido. Os presentes aumentam gradualmente de valor, mas não apresentam importância equivalente, ou mesmo qualquer importância. É o dito efeito maligno do conhecimento. Você já sabe de antemão aonde leva aquela conversa, qual o significado daquele gesto, e então tudo se torna... previsível.
Os motivos da tristeza, em contraste, se mostram cada vez mais complexos e difíceis de se expressar em palavras. Sim, é claro que se pode colocar em termos de ausência de algo, mas é exatamente este algo que se torna abstrato. É como pedir ajuda para se montar um quebra-cabeças cujas peças não se pode ver.
É estranho porque, apesar do consciente não entender a razão deste estado, o inconsciente e o corpo sabem que o ser está (ou é) triste. E o expressam como podem. O semblante sério, a mudez involuntária, as lágrimas, os sonhos.
Eu, certa noite, sonhei que chorava e o sonho se transformou em realidade: acordei chorando. Por sorte eu estava sozinho e não tive que colocar em palavras para alguém o que ainda não sei como. Não foi porque eu estava sozinho, ou pelo menos é disso que tento me convencer.
As conversas são repetidas tantas vezes que se tornam fúteis e vazias: mera recitação de palavras sem sentido. Os presentes aumentam gradualmente de valor, mas não apresentam importância equivalente, ou mesmo qualquer importância. É o dito efeito maligno do conhecimento. Você já sabe de antemão aonde leva aquela conversa, qual o significado daquele gesto, e então tudo se torna... previsível.
Os motivos da tristeza, em contraste, se mostram cada vez mais complexos e difíceis de se expressar em palavras. Sim, é claro que se pode colocar em termos de ausência de algo, mas é exatamente este algo que se torna abstrato. É como pedir ajuda para se montar um quebra-cabeças cujas peças não se pode ver.
É estranho porque, apesar do consciente não entender a razão deste estado, o inconsciente e o corpo sabem que o ser está (ou é) triste. E o expressam como podem. O semblante sério, a mudez involuntária, as lágrimas, os sonhos.
Eu, certa noite, sonhei que chorava e o sonho se transformou em realidade: acordei chorando. Por sorte eu estava sozinho e não tive que colocar em palavras para alguém o que ainda não sei como. Não foi porque eu estava sozinho, ou pelo menos é disso que tento me convencer.
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