Terapia
– Pele de algodão, um alfinete.
– É um pesadelo que você tem?
– Não, não...
– Uma sensação? Alucinação?
– Não!
– Você imagina o alfinete furando sua pele?
– Esqueça.
O psicólogo escutava atentamente, mas não ouvia nada. Já perdera a conta dos psicólogos que visitara, e era sempre a mesma ladainha. Tudo corre bem até a sétima, oitava sessão, quando ele já tinha confiança o suficiente para contar algo mais profundo, algo que o atormentava. Talvez ele esperasse que o ignóbil do analista arrancasse aquilo da mente dele com a mão. Mas não, eles não sabiam o que fazer com aquilo. Eles não sabiam o que era aquilo.
Saía irritado da sala, deixava um cheque na recepção no valor de algumas sessões e nunca mais voltava. Nunca deixava telefone para contato para que eles não lhe ligassem procurando. Pegava novamente a lista do CRP (Conselho Regional de Psicologia) e escolhia um nome a esmo.
Não procurava psiquiatras. Não queria remédios, tinha ojeriza a eles. Os remédios não o fariam dormir, não impediriam aquela estranha insônia irreal. Daí a pouco, exausto e querendo descanso, um pouco de paz, procurava-os novamente somente para se irritar outra vez.
– Pele de algodão, um alfinete.
– Foi um sonho que você teve?
– Você fala a minha língua? Pele de algodão, um alfinete. Cotton skin, a pin. Não está entendendo, não é? Não é um sonho, como pode ser um sonho se eu não consigo dormir?
– Mm... você usa algum tipo de narcótico?
– Desisto. Posso sair?
– Espere, eu...
Saía sem esperar consentimento. A noite sempre o espreitava lhe dizendo para não abandoná-la. E ele realmente não conseguia ignorar os seus apelos. Era se pôr na cama para tentar dormir, e aquele pensamento estranho o tomava por completo, pulsava mesmo em suas veias. Cansado, exausto e ainda assim expulso do leito. Ia ouvir música, ia à cozinha comer algo. Só quando estava já exaurido, se deixava desmaiar na cama, para levantar no dia seguinte, sem acordar. Afinal de contas, não havia dormido.
– É um pesadelo que você tem?
– Não, não...
– Uma sensação? Alucinação?
– Não!
– Você imagina o alfinete furando sua pele?
– Esqueça.
O psicólogo escutava atentamente, mas não ouvia nada. Já perdera a conta dos psicólogos que visitara, e era sempre a mesma ladainha. Tudo corre bem até a sétima, oitava sessão, quando ele já tinha confiança o suficiente para contar algo mais profundo, algo que o atormentava. Talvez ele esperasse que o ignóbil do analista arrancasse aquilo da mente dele com a mão. Mas não, eles não sabiam o que fazer com aquilo. Eles não sabiam o que era aquilo.
Saía irritado da sala, deixava um cheque na recepção no valor de algumas sessões e nunca mais voltava. Nunca deixava telefone para contato para que eles não lhe ligassem procurando. Pegava novamente a lista do CRP (Conselho Regional de Psicologia) e escolhia um nome a esmo.
Não procurava psiquiatras. Não queria remédios, tinha ojeriza a eles. Os remédios não o fariam dormir, não impediriam aquela estranha insônia irreal. Daí a pouco, exausto e querendo descanso, um pouco de paz, procurava-os novamente somente para se irritar outra vez.
– Pele de algodão, um alfinete.
– Foi um sonho que você teve?
– Você fala a minha língua? Pele de algodão, um alfinete. Cotton skin, a pin. Não está entendendo, não é? Não é um sonho, como pode ser um sonho se eu não consigo dormir?
– Mm... você usa algum tipo de narcótico?
– Desisto. Posso sair?
– Espere, eu...
Saía sem esperar consentimento. A noite sempre o espreitava lhe dizendo para não abandoná-la. E ele realmente não conseguia ignorar os seus apelos. Era se pôr na cama para tentar dormir, e aquele pensamento estranho o tomava por completo, pulsava mesmo em suas veias. Cansado, exausto e ainda assim expulso do leito. Ia ouvir música, ia à cozinha comer algo. Só quando estava já exaurido, se deixava desmaiar na cama, para levantar no dia seguinte, sem acordar. Afinal de contas, não havia dormido.
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