Primeiros contatos com o frio

O frio finalmente veio. Após anos e anos querendo senti-lo nos ossos, a me roubar o calor incômodo, eu agora o conheci.

Há pessoas que logo enjoam do que conquistam, por verem que isso que tanto queriam não é lá essas coisas. A tal conquista se torna coisa corriqueira e perde seu valor. Não é este o caso. O frio me toma completamente a pele, o nariz, as maos e, eventualmente, os pés, e eu continuo a apreciá-lo todos os dias como se ainda fosse o primeiro.

Não faço a menor idéia de porquê eu gosto tanto do frio. Sim, é verdade que é o tempo que mais condiz com minha personalidade – ele, de uma certa forma, induz um comportamento mais calmo, quieto e por vezes chega a causar até depressão. Mas como poderia eu adorar tanto algo que nunca havia sentido e vivido? Seria talvez uma associação a coisas ruins que eu fizera ao calor, que me faz procurar seu oposto?

Por enquanto não me ocupo em tentar responder estes questionamentos. Estou vivenciando uma felicidade diferente, proveniente do lugar onde estou. Vou aproveitar o frio – e a sensação de torpor que ele traz – enquanto posso.

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