Natalie
E então, como é? Como é ver todos à sua volta falarem uma língua que você nao entende? Eu acho que sei, mas a sua situação ainda é pior que a minha. Você berra e chora, não de frio, fome ou sede, mas por não entender o que lhe dizem o tempo todo. E ninguém pára de falar.
Você não tem forças para sair de onde está. Não tem pernas para levantar e correr, mas tem, e por isso você chora. Tem braços e mãos para derrubar ou construir tudo ao seu redor, mas não sabe como. Ou para quê. Desesperada com esta inutilidade de si mesma, você se arranha e se flagela, talvez para ter um motivo palpável para chorar.
Como é agoniante ser a única pessoa que conhece o motivo das suas lágrimas, não é? É irritante ver as pessoas próximas emitirem sons e ruídos sem qualquer sentido, na esperança vã de fazê-la parar. Eles só querem que você se cale, e talvez por isso você berre mais e mais. Berre, berre mesmo.
Mas por que você parou de chorar quando olhou para mim? Eu não fiz nada para merecer este sorriso. Não fiz nada além de olhar pra você, e seus olhos cinza me encontraram. Não fiz nada além de tirá-la do chão e deixá-la suspensa no ar, mais perto do céu, de onde você nunca quis ter fugido. Eu nunca lhe dirigi uma palavra sequer – nem o farei até que você me dê uma palavra sua – e você já se sente bem em meus braços. Eu lhe mostrarei todos os espelhos que você quiser, antes mesmo que você me peça, e eu espero que em um deles você se descubra, e saiba que sou eu ali, atrás de você.
Eu nunca gostei muito de pessoas como você, e ainda a odeio um pouco quando você berra e chora e se flagela. Odeio-a por não saber como arrancar-lhe com minhas próprias mãos aquilo que tanto a agonia. Odeio por você achar que eu não entendo.
Você não tem forças para sair de onde está. Não tem pernas para levantar e correr, mas tem, e por isso você chora. Tem braços e mãos para derrubar ou construir tudo ao seu redor, mas não sabe como. Ou para quê. Desesperada com esta inutilidade de si mesma, você se arranha e se flagela, talvez para ter um motivo palpável para chorar.
Como é agoniante ser a única pessoa que conhece o motivo das suas lágrimas, não é? É irritante ver as pessoas próximas emitirem sons e ruídos sem qualquer sentido, na esperança vã de fazê-la parar. Eles só querem que você se cale, e talvez por isso você berre mais e mais. Berre, berre mesmo.
Mas por que você parou de chorar quando olhou para mim? Eu não fiz nada para merecer este sorriso. Não fiz nada além de olhar pra você, e seus olhos cinza me encontraram. Não fiz nada além de tirá-la do chão e deixá-la suspensa no ar, mais perto do céu, de onde você nunca quis ter fugido. Eu nunca lhe dirigi uma palavra sequer – nem o farei até que você me dê uma palavra sua – e você já se sente bem em meus braços. Eu lhe mostrarei todos os espelhos que você quiser, antes mesmo que você me peça, e eu espero que em um deles você se descubra, e saiba que sou eu ali, atrás de você.
Eu nunca gostei muito de pessoas como você, e ainda a odeio um pouco quando você berra e chora e se flagela. Odeio-a por não saber como arrancar-lhe com minhas próprias mãos aquilo que tanto a agonia. Odeio por você achar que eu não entendo.
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