Falta

Um pedaço de madeira no meio da sala. Um pedaço de um tronco, que um dia já fora uma árvore esplendorosa, oferecendo abrigo do sol. Mas o passado não importa; ele agora era este pedaço de tronco. Era simples, muito simples, a ponto de ser rústico.

Servia por vezes de assento, ou de peso para segurar a porta, ou apoio para alguma criança que ainda engatinhava começar a se levantar. Numa destas, o tronco foi derrubado e a criança conseguiu se manter em pé, de forma que todos ficassem exultantes com o êxito do pequeno infante, não notando que o tronco rolava pela porta afora. Por que deveria ser notado? Era apenas um tronco. Ninguém nem sabia como ele foi parar ali ou quem o trouxera.

O que se seguiu foi que por alguns dias se sentiu falta daquele tronco na sala. Não porque era uma peça importante na decoração ou porque sua função era imprescindível à casa. Era, sim, porque era algo que estava o tempo todo ali, e de repente não estava mais. Todos estavam acostumados a ver o tronco ali, inútil e inerte.

A falta que se sente não é real, é só um resquício de um costume, um fantasma que vai se esvair em pouco tempo. A falta não é real.

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