Infini...

Ele dirigia pra qualquer lugar. Nem se lembrava de ter acordado ou de ter pego as chaves do carro. Quando se percebeu e viu que estava vivo, encontrou-se dentro do carro. Como fora parar ali? Talvez a vontade de sumir estivesse tão forte que ele de fato sumira por alguns instantes. Ou então o vinho. Sim, o vinho a mudar o sangue e alterar a percepção. Tomou o vinho com o intuito de não perceber que estava sozinho. Mas estava, e num carro em movimento.

A pista não era pista. Era oceano. Brilhava como um, pelo menos, à luz dos postes e dos faróis. Seriam faróis de carros ou faróis de porto? Não sabia mais. Não importava mais a cidade em que estava, qualquer lugar que fosse, ele não caberia ali. Estava nostálgico por ver toda aquele luz no chão ao invés de no céu. Lembrava-se de viagens em silêncio por pistas reluzentes. Talvez fossem as únicas boas memórias que ele tinha. Ou então as únicas memórias que tinha naquele momento. Não precisava de outras.

O rádio desligado. Nunca tocavam o que ele precisava ouvir. Contentava-se em fechar os olhos e se lembrar da última música que ouvira, também para não ter que ver as outras pessoas ao redor dele. E era assim, de olhos fechados, que dirigia a maior parte de seu percurso. Desprezo pela própria vida? Não, apenas não queria ver.

Uma buzina mais forte o faz abrir os olhos. Estava na contramão, pois ele realmente nunca andava em linha reta. Reflexos pelo menos ele tinha, e foi o que salvou o outro carro. O oceano deslizava debaixo das rodas, ao que ele largou o volante, esperando que o controle voltasse às suas mãos. Foi lançado do oceano ao céu, caindo da ponte no gramado. Um gramado onde antes era confortável caminhar e rolar com alguém. Sem este alguém a única coisa que pôde fazer é cair.

Cair, morrer sem amar. Três infinitos infinitivos.

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