Sem restrições

Eu estou nu. Sem barreiras. Sem defesas. Vocês entram aqui e me lêem, me vêem como sou, sem os pudores da sociedade. Aqui eu não tenho que mostrar o sorriso social, a cordialidade, todos estes comportamentos pré-estabelecidos para convivência em comunidade. Se aqui eu digo que sou triste, você pode esperar que eu seja triste quando eu estou longe das pessoas, ou pelo menos longe das pessoas para quem eu sinta que tenho que mostrar funcionalidade social. Aqui não. Aqui eu choro convulsivamente, aqui eu falo das minhas vontades, dos meus pensamentos em depressão e suicídio, da não-existência do amor. Eu poderia muito bem guardar tudo isso pra mim mesmo. Mas aí eu seria apenas mais um. E eu quero fazer a diferença, porque a diferença está em mim e eu a sinto o tempo todo. Não me importo que haja pessoas que vão ler toda esta tristeza e vão vir falar comigo, e me ver e perguntar se está tudo bem. Elas vão receber a resposta padrão: sim, está tudo bem. Mal está quem não consegue juntar forças nem para maquiar essa tristeza, essa anormalidade.

Quanto mais tempo sozinho eu passo, melhor me conheço, e este é um conhecimento sem preço.

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