Nada a se fazer

– Você se importaria de ficar comigo?

Quem disse isso tem uma língua que já conheceu muitas línguas como a sua. Entre mordidas que não se sabe se foram para provocar sensação ou se foram de raiva da situação, o que se sentiu além do contato de corpos, do toque quente e molhado, das mãos na nuca e deslizando pelos cabelos, prendendo a cabeça para não se perder?

Nada. Não se sentiu nada. Guiados pela embriaguez, unidos pelo acaso. Orientações confusas e inexclusivas, papéis invertidos e poucas palavras. Não era necessário falar porque não se havia o que dizer, só o que se fazer. Era a manutenção dos corpos, o exercício necessário para não se definhar. Sensações em detrimento do sentimento.

Pelo menos nada se perdeu, nada ficou, nada nasceu. Nada.

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