Mente mente
– Preciso sair. Sair.
Com aquele pensamento na cabeça ele desatinou a andar. Entre os carros e os postes, na frente das lojas. Na frente das pessoas que ele queria tanto evitar e inexistir como elas faziam com ele. Sua cabeça fervilhava e todo aquele excesso era escoado por palavras soltas emitidas para ele mesmo:
– Pés idiotas que não sabem andar e machucam quem precisa neste momento correr. Correr a uma velocidade crescente, cada vez mais rápido, correr e fugir e ver as pessoas como nada mais que um borrão. Pessoas idiotas, que não sabem nem onde estão nem para onde vou.
E por isso ele se ancorava naquele pedaço de papel, indicações e nomes e placas, tudo que parecia humano mas não era. A sede o provocava e espetava sua boca toda vez que ele vislumbrava o brilho da água na rua, sendo desperdiçada e derramada junto com a sujeira. Óleo, pó, lágrimas que ele não viu caírem mas caíram dentro das casas, na intimidade impenetrável dos banheiros e suas portas fechadas. Ele lembrou das suas próprias e quis chorar e chorar e secar e morrer. Mas não conseguia nem correr, que dirá chorar.
– Ninguém mais me verá. Eu posso morrer e ninguém vai saber, ninguém vai me ter porque eu não caibo em ninguém. Eu vou me dar a quem? Nem ao chão eu pertenço mais. Eu olho pro lado e vejo dois sóis, um no lugar aonde quero ir, outro imerso na fetidez. Os dois me enervam e eu quero apagá-los para nunca mais ver.
Ele pára na porta de casa e por um minuto pensa que não precisava mais fingir. Por um minuto, na frente da porta, as chaves na mão, o olhar sem ver.
– Cala-te, mente.
E abre a porta.
Com aquele pensamento na cabeça ele desatinou a andar. Entre os carros e os postes, na frente das lojas. Na frente das pessoas que ele queria tanto evitar e inexistir como elas faziam com ele. Sua cabeça fervilhava e todo aquele excesso era escoado por palavras soltas emitidas para ele mesmo:
– Pés idiotas que não sabem andar e machucam quem precisa neste momento correr. Correr a uma velocidade crescente, cada vez mais rápido, correr e fugir e ver as pessoas como nada mais que um borrão. Pessoas idiotas, que não sabem nem onde estão nem para onde vou.
E por isso ele se ancorava naquele pedaço de papel, indicações e nomes e placas, tudo que parecia humano mas não era. A sede o provocava e espetava sua boca toda vez que ele vislumbrava o brilho da água na rua, sendo desperdiçada e derramada junto com a sujeira. Óleo, pó, lágrimas que ele não viu caírem mas caíram dentro das casas, na intimidade impenetrável dos banheiros e suas portas fechadas. Ele lembrou das suas próprias e quis chorar e chorar e secar e morrer. Mas não conseguia nem correr, que dirá chorar.
– Ninguém mais me verá. Eu posso morrer e ninguém vai saber, ninguém vai me ter porque eu não caibo em ninguém. Eu vou me dar a quem? Nem ao chão eu pertenço mais. Eu olho pro lado e vejo dois sóis, um no lugar aonde quero ir, outro imerso na fetidez. Os dois me enervam e eu quero apagá-los para nunca mais ver.
Ele pára na porta de casa e por um minuto pensa que não precisava mais fingir. Por um minuto, na frente da porta, as chaves na mão, o olhar sem ver.
– Cala-te, mente.
E abre a porta.
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