Chuva, lava isso embora...
– Levanta aí, vamos conversar.
– Vamos.
Ele se levanta do chão com algum esforço. Bate a poeirada roupa, poeira que ele nem sabia de onde veio. Os dois andam por uma pradaria onde o nada os cercava. Caminhavam sem pressa, ignorando a chuva que ameaçava cair.
O que chamou quebra o silêncio confortável.
– Você é patético, sabia?
– Sabia.
– Eu te acompanhei este tempo todo, te avisei do que estava acontecendo, e você...
– Vai ficar aí me dizendo o óbvio, o que eu já sei?
– Er... não. Certo. Você... está bem?
– Estou andando, não estou? Acho que entrei naquela fase.
– Eu adoro esta fase sua...
– Só porque você fica no controle, né?
– Por mim eu ficava no controle o tempo todo.
– Não ia prestar.
– Ah, qual é? Toda vez que você toma conta, acontece isso. E quando acontece a tragédia – e sempre acontece –, você larga tudo e vai pro seu canto remoer.
– Não é remoer. É aprender. Pra não se repetir.
– Não tem funcionado, pelo jeito.
– São situações diferentes e você sabe disso.
– Tá bom, tá bom... Mas veja pelo lado bom: não era o que você esperava, era?
– Em nenhuma das vezes foi. Essa não foi diferente.
– Então! Deixa eu tomar conta de tudo, de uma vez por todas.
– Não! Você despreza tudo que acontece a sua volta, e eu não quero que isso se torne a regra.
– Eu sou atencioso!
– Você presta atenção, isso é diferente de ser atencioso. Eu tenho esperança de que uma vez vá dar certo. E eu terei de estar lá pra quando isso acontecer.
– Esperança... você tem é expectativa. E é isso que arruína tudo.
– As duas sempre andam juntas. Mas eu estou aprendendo a maneirar.
– Certo... Bom, eu vou tomar conta das coisas por lá, ta quase na hora. Ou... você quer ir?
– Por enquanto ainda não. Pode ir.
– Tá.
Eles se separam e a chuva começa a cair. Surpreendentemente, nenhum dos dois parece se importar, pois o primeiro continua a caminhar lentamente enquanto o outro se senta na grama. Este abraça as próprias pernas e ergue o queixo, para que a chuva caia diretamente em seu rosto, escorrendo pelas bochechas. Chuva boa que leva o calor embora, pensa ele. Chuva boa.
– Vamos.
Ele se levanta do chão com algum esforço. Bate a poeirada roupa, poeira que ele nem sabia de onde veio. Os dois andam por uma pradaria onde o nada os cercava. Caminhavam sem pressa, ignorando a chuva que ameaçava cair.
O que chamou quebra o silêncio confortável.
– Você é patético, sabia?
– Sabia.
– Eu te acompanhei este tempo todo, te avisei do que estava acontecendo, e você...
– Vai ficar aí me dizendo o óbvio, o que eu já sei?
– Er... não. Certo. Você... está bem?
– Estou andando, não estou? Acho que entrei naquela fase.
– Eu adoro esta fase sua...
– Só porque você fica no controle, né?
– Por mim eu ficava no controle o tempo todo.
– Não ia prestar.
– Ah, qual é? Toda vez que você toma conta, acontece isso. E quando acontece a tragédia – e sempre acontece –, você larga tudo e vai pro seu canto remoer.
– Não é remoer. É aprender. Pra não se repetir.
– Não tem funcionado, pelo jeito.
– São situações diferentes e você sabe disso.
– Tá bom, tá bom... Mas veja pelo lado bom: não era o que você esperava, era?
– Em nenhuma das vezes foi. Essa não foi diferente.
– Então! Deixa eu tomar conta de tudo, de uma vez por todas.
– Não! Você despreza tudo que acontece a sua volta, e eu não quero que isso se torne a regra.
– Eu sou atencioso!
– Você presta atenção, isso é diferente de ser atencioso. Eu tenho esperança de que uma vez vá dar certo. E eu terei de estar lá pra quando isso acontecer.
– Esperança... você tem é expectativa. E é isso que arruína tudo.
– As duas sempre andam juntas. Mas eu estou aprendendo a maneirar.
– Certo... Bom, eu vou tomar conta das coisas por lá, ta quase na hora. Ou... você quer ir?
– Por enquanto ainda não. Pode ir.
– Tá.
Eles se separam e a chuva começa a cair. Surpreendentemente, nenhum dos dois parece se importar, pois o primeiro continua a caminhar lentamente enquanto o outro se senta na grama. Este abraça as próprias pernas e ergue o queixo, para que a chuva caia diretamente em seu rosto, escorrendo pelas bochechas. Chuva boa que leva o calor embora, pensa ele. Chuva boa.
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