Parapeito
Cá estou no parapeito da janela da sala. Uma janela perfeita, que dá vista para o parquinho das crianças. Uma janela para a infância. Sempre que acordava aflito e sobressaltado, geralmente despertado por uma lembrança da minha condição – que se manifestava como lanças em minha perna ou debilidade e tremores em um corpo já frágil, me mostrando o quanto eu estava perto de parar por completo –, eu me dirigia à sala, à janela. Ver toda aquela calmaria e silêncio me fazia pensar em todo aquele nada que existia ao meu redor. Claro que à época eu não o sabia; a associação, faço-a agora.
Hoje eu voltei a esse velho parapeito, para ver o nada. O mesmo nada que me cercava na infância, é o mesmo que me cercou na adolescência e que me oprime agora. Este nada é uma verdadeira muralha sem fim. E uma muralha sádica, que permite que eu atravesse partes de mim por ela, mas que não deixa as partes de outrem chegar a mim.
E é por isso que escrevo aqui. Porque sei que essa muralha ainda está de pé, que ela ainda funciona da mesma forma de antes. E então eu vou mandar partes de mim para vocês até eu acabar. Porque cada vez que eu escrevo, falo, sinto e externo um 'eu gosto de você', um 'eu te adoro', um 'eu te amo', não são palavras. São pedaços de mim, dolorosamente arrancados e entregues. E a maldita muralha não deixa passar os ecos. Porque eu sei que chegam às pessoas, mas não recebo resposta. Silêncio. Nos piores casos, risos. Escárnio. Ladrões que me induzem a me entregar e ainda gargalham de minha inocência, ao me abandonarem com um pedaço a menos.
E não me arrependo disto. Pois pior seria se eu mantivesse esses pedaços guardados para um momento especial que nunca parece chegar, mas que na verdade passam por nós desapercebidos. E o arrependimento por tê-los guardado é infinitamente maior quando a pessoa a quem íamos entregar este pedaço se vai. O arrependimento é da grandeza do tempo pelo qual ficará longe a pessoa que se foi.
Só falta saber se essa muralha é feita das pessoas a quem me entrego.
Hoje eu voltei a esse velho parapeito, para ver o nada. O mesmo nada que me cercava na infância, é o mesmo que me cercou na adolescência e que me oprime agora. Este nada é uma verdadeira muralha sem fim. E uma muralha sádica, que permite que eu atravesse partes de mim por ela, mas que não deixa as partes de outrem chegar a mim.
E é por isso que escrevo aqui. Porque sei que essa muralha ainda está de pé, que ela ainda funciona da mesma forma de antes. E então eu vou mandar partes de mim para vocês até eu acabar. Porque cada vez que eu escrevo, falo, sinto e externo um 'eu gosto de você', um 'eu te adoro', um 'eu te amo', não são palavras. São pedaços de mim, dolorosamente arrancados e entregues. E a maldita muralha não deixa passar os ecos. Porque eu sei que chegam às pessoas, mas não recebo resposta. Silêncio. Nos piores casos, risos. Escárnio. Ladrões que me induzem a me entregar e ainda gargalham de minha inocência, ao me abandonarem com um pedaço a menos.
E não me arrependo disto. Pois pior seria se eu mantivesse esses pedaços guardados para um momento especial que nunca parece chegar, mas que na verdade passam por nós desapercebidos. E o arrependimento por tê-los guardado é infinitamente maior quando a pessoa a quem íamos entregar este pedaço se vai. O arrependimento é da grandeza do tempo pelo qual ficará longe a pessoa que se foi.
Só falta saber se essa muralha é feita das pessoas a quem me entrego.
Comments
Post a Comment