Dilema
Estou num dilema: se eu cortar os pulsos, como irei escrever?
Estava precisando escrever algo bem depressivo, colocar esses monstros pra fora, mostrar uma tristeza profunda. Porque na vida real eu só mostro o lado agradável, a simpatia, a cordialidade. O perfeito cidadão inserido na sociedade. Mas voltemos à depressão, para que eu possa me esvaziar de tudo.
É engraçado que sempre pensam no depressivo como um suicida. Não é. Ao depressivo sempre vai faltar a energia, a coragem, qualquer coisa que o motive a fazer algo tão importante e dramático como abrir seu peito e deixar a vida se esvair. Ele sempre vai vacilar no último momento, perder a firmeza com a lâmina, procurar um antídoto, ligar para alguém. Tolo. Imbecil. Fraco. E ele ouve tudo isto, mesmo que niguém diga. Ele vê nos olhos do médico, dos pais, dos amigos. Mais combustível para a depressão. Talvez devesse se isolar completamente, perfeitamente. Sem qualquer estímulo, o que acontece com os sentimentos? Eles param? Vão embora? Talvez eles sejam pequenos alienígenas que entraram no nosso corpo há muito tempo, junto com as mitocôndrias. Que o diga Isaac Asimov e seu senso de humor extraterrestre.
A depressão não é perfeita porque sempre carrega consigo uma ponta de esperança, que por mais insignificante que seja é suficiente para empurrar um corpo vazio e sem graça rua abaixo e rua acima e para dentro e fora das casas, sem ir a qualquer lugar, sem entrar em nada. Uma ponta de esperança que impede uma decisão mais importante e definitiva. E que, por ironia, não é forte o bastante para que se consiga abandonar a depressão. Porque as duas andam juntas. Malditas.
Estava precisando escrever algo bem depressivo, colocar esses monstros pra fora, mostrar uma tristeza profunda. Porque na vida real eu só mostro o lado agradável, a simpatia, a cordialidade. O perfeito cidadão inserido na sociedade. Mas voltemos à depressão, para que eu possa me esvaziar de tudo.
É engraçado que sempre pensam no depressivo como um suicida. Não é. Ao depressivo sempre vai faltar a energia, a coragem, qualquer coisa que o motive a fazer algo tão importante e dramático como abrir seu peito e deixar a vida se esvair. Ele sempre vai vacilar no último momento, perder a firmeza com a lâmina, procurar um antídoto, ligar para alguém. Tolo. Imbecil. Fraco. E ele ouve tudo isto, mesmo que niguém diga. Ele vê nos olhos do médico, dos pais, dos amigos. Mais combustível para a depressão. Talvez devesse se isolar completamente, perfeitamente. Sem qualquer estímulo, o que acontece com os sentimentos? Eles param? Vão embora? Talvez eles sejam pequenos alienígenas que entraram no nosso corpo há muito tempo, junto com as mitocôndrias. Que o diga Isaac Asimov e seu senso de humor extraterrestre.
A depressão não é perfeita porque sempre carrega consigo uma ponta de esperança, que por mais insignificante que seja é suficiente para empurrar um corpo vazio e sem graça rua abaixo e rua acima e para dentro e fora das casas, sem ir a qualquer lugar, sem entrar em nada. Uma ponta de esperança que impede uma decisão mais importante e definitiva. E que, por ironia, não é forte o bastante para que se consiga abandonar a depressão. Porque as duas andam juntas. Malditas.
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