Diálogos - II
– Agora você passou dos limites.
– Não começa. Me deixa, vai.
– O caralho que eu te deixo! Eu te deixo há muito tempo já! Você vai sair agora, não pode ficar se escondendo pra sempre.
– Posso. Já o fiz até agora. Já o fiz durante anos e ninguém reclamou, ninguém notou. Vai, me deixa, preciso me proteger.
– Proteger, proteger. Sempre essa ladainha. Você nunca terá defesas desse jeito.
– Defesas? Não preciso delas. Não se ficar no meu canto.
– Ilusão sua. No seu canto mesmo você já foi atingido, e de forma quase letal. Você precisa de defesas.
– Digamos que sim. Como terei defesas? Vou criá-las do nada?
– Eu vou te forçar a criá-las. Vou bater em você. Vou te jogar contra a parede, te socar, te chutar. Te jogar por aí em qualquer canto, qualquer um. Você vai apanhar muito.
– Mas...
– Mas nada! Cansei de ter que te esconder no seu canto, de inventar respostas inteligentes pra você se sentir bem com um elogio. Agora eu vou te jogar no mundo, meu caro. Vai ter que enfrentar tudo, cada espinho, cada marretada, cada facada, cada tiro.
– Você vai viver sem mim, vai andar por aí sem mim? Quem vai fazer as coisas fluirem, quem vai te motivar a dizer e a... literalmente, viver?
– ...
– Bem?
– Estou disposto a correr esse risco. Agora levanta e sai.
– Não começa. Me deixa, vai.
– O caralho que eu te deixo! Eu te deixo há muito tempo já! Você vai sair agora, não pode ficar se escondendo pra sempre.
– Posso. Já o fiz até agora. Já o fiz durante anos e ninguém reclamou, ninguém notou. Vai, me deixa, preciso me proteger.
– Proteger, proteger. Sempre essa ladainha. Você nunca terá defesas desse jeito.
– Defesas? Não preciso delas. Não se ficar no meu canto.
– Ilusão sua. No seu canto mesmo você já foi atingido, e de forma quase letal. Você precisa de defesas.
– Digamos que sim. Como terei defesas? Vou criá-las do nada?
– Eu vou te forçar a criá-las. Vou bater em você. Vou te jogar contra a parede, te socar, te chutar. Te jogar por aí em qualquer canto, qualquer um. Você vai apanhar muito.
– Mas...
– Mas nada! Cansei de ter que te esconder no seu canto, de inventar respostas inteligentes pra você se sentir bem com um elogio. Agora eu vou te jogar no mundo, meu caro. Vai ter que enfrentar tudo, cada espinho, cada marretada, cada facada, cada tiro.
– Você vai viver sem mim, vai andar por aí sem mim? Quem vai fazer as coisas fluirem, quem vai te motivar a dizer e a... literalmente, viver?
– ...
– Bem?
– Estou disposto a correr esse risco. Agora levanta e sai.
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