Telas

Uma tela em branco. Tudo não passa de uma tela em branco ultimamente. Não uma tela de pintura, uma tela de computador. Porque não há como apagar algo que foi derramado no tecido de uma tela, mas o monitor depende totalmente da CPU. E CPUs dependem da memória, que pode ser formatada a qualquer minuto. Apenas um comando. Sim, quero formatar. Por que não?

Pois por mais que eu escreva e publique e escreva e publique a tela continua em branco. Queria eu que fosse a tela de pintura, por mais fraca que fosse a tinta, algo ficaria. A tela de computador fica impassível. A única mudança é a sua vida útil, que aos poucos se esvai sem percebermos. Um dia nos pegará de surpresa, se recusando a ser ligada. Ralharemos com ela, chutaremos e compraremos uma nova, uma melhor, mais arrojada, moderna. Um bem despojável, não passa disso.

Por mais que se acessem grandes obras de pintura, por mais filmes bonitos que se vejam na tela, ela nunca poderá fazer parte da obra de arte maior, que ocupa nossas mentes. Nunca nos lembraremos da tela. Talvez da obra que vimos nela, mas não da tela. A tela é só uma ferramenta, não é?

Colocamos o que queremos na tela. Fotos, filmes, páginas, jogos. Textos também, por que não? Colocamos diálogos na tela. Colocamos pessoas na tela. A tela serve pra tudo. Mas não serve. A tela não serve, nem vai servir.

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