O grande tabu

Não, não é sexo. Falo de suicídio. Sim, suicídio. Esse é o maior tabu da atualidade, na minha opinião. É engraçado como há um certo silêncio constrangedor só ao se mencionar esta palavra. E por quê?

Eu sei que se fala de suicídio, sim. Assim como se fala de sexo. Para educar, para evitar o pior, hoje em dia se fala dos dois. Mas você não verá, hoje em dia, alguém que admita que tenha tentado suicídio com a mesma naturalidade que usaria ao falar que já tinho feito sexo na vida. Sexo é algo muito natural, afinal. Suicídio não. Suicídio é feio, é fraqueza. É caso clínico, carrega o estigma social de quem falhou na coisa mais importante que existe, a vontade de viver. Uma pessoa que tentou suicídio precisa ser ouvida, precisa de cuidados, precisa de remédios. Doença é a palavra entrelinhada aqui.

Se é doença, então será que pessoas sãs nunca tentaram suicídio ou sequer pensaram nele como solução em algum ponto de suas vidas, geralmente o de mais desespero? Eu duvido muito. E adiciono, talvez o suicídio seja mais um daqueles ditos traços humanos, que nos distingüem dos outros animais. O que me faz ponderar se ele não teria sido uma das manchas imencionáveis na vida dos que me cercam, de todas as pessoas. Fraqueza, eles pensam. O velho hábito de se atribuir valor a tudo. Eu não vejo fraqueza nisso.

Eu admito. Eu já tentei. Talvez você já tivesse descoberto pelo tom de alguns de meus textos. Nunca fiz questão de esconder (ou talvez nunca consegui fazê-lo). Mas, surpreendentemente, não vejo isso como fraqueza minha. Não penso em ir correndo consultar um psicólogo ou um psiquiatra. Eu olho no espelho e vejo apenas mais um ser humano tentando achar algum sentido, e me lembro de que é o que todos já fizeram e o que todos ainda fazem.

E você, é "fraco" também?

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